domingo, 10 de agosto de 2014

A Universidade e o debate e as reflexões “sobre o uso de fita adesiva”

Tomei emprestado o título deste artigo da resposta da professora Andréa Paula em 08/08 ao subprefeito da universidade que a repreende por permitir que alunos colem cartazes nos espaços da mesma.
Trazemos de volta a reflexão sobre o papel que a educação cumpre em nossa sociedade, uma vez que ela está, e sempre esteve, a serviço das classes dominantes, que têm como objetivo perpetuar o sistema, sistema esse que só sobrevive e se mantém à medida que controla nossas ações, gostos e escolhas. Poucos em nossa sociedade escolhem sua profissão, a roupa que usa, a casa que mora. A pedagogia propagada nas escolas torna o aluno em um objeto do sistema, alienado pela indústria 'cultural' que o absorve; ampliar sua realidade social e cultural constitui uma ameça para o sistema. A arte teve grande expressão no passado, e muito se transformou e conseguiu através dela. Através de suas várias expressões, ela cria representações, imagens e sensações que afetam o imaginário social e político, e isso tem um impacto importante na vidas das pessoas.
Mais do que produzir temas e objetos, a arte tem o poder de ampliar a imaginação agindo na memória, nos comportamentos e na escrita; psicologicamente, é um meio incrível de acessar os conteúdos inconscientes e trazer à tona tanto os potenciais transformadores como elaborar àqueles negativos; contudo, o sujeito que ingressa nessa viagem (no sentido de deslocamento), corre o risco de encontrar sua identidade pessoal, de tornar-se uma pessoa mais consciente à medida que se reconhece e reconhece o outro e faz uma leitura mais clara das coisas à sua volta; o problema é que a pessoa de posse de si mesma, passa a subverter as cristalizações e as institucionalizações das verdades até então conhecidas, e propõem uma nova perspectiva, contagiam outras pessoas através da sua expressão, pois a arte nos mostras novas possibilidades, dá cor e vida aos fatos passados, do qual muitos não tiveram o acesso adequado, como também inaugura uma nova forma de ver a vida.
Outro perigo que a arte traz, é que ela tem a propriedade de nos aproximar da natureza; ela nos remete a um modo de vida mais humanizado e integrados uns com os outros; tem outra proposição para o bom e o belo, que em nada lembra as convenções da indústria da moda que o sistema nos enfia guela abaixo; isso pode ter um impacto profundo no consumismo, uma ferramenta fundamental para manter o sistema.
Enfim, a arte é a subversão da ideologia vigente, porque pode nos remeter à nossa subjetividade, porque nos leva de volta à natureza, da qual fazemos parte, e de repente, muitas coisas desta tão "sonhada e desejada" modernidade, pode perder e muito de sua graça e importância, porque podemos descobrir que estamos sendo enganados, que não necessitamos de tanto o quanto o sistema nos leva a acreditar que necessitamos, e por outro lado, perdemos as condições básicas e necessárias para continuarmos a merecer o título de seres humanos.
Um salve às professoras Graciela Oliver e Andréa Paula por tentarem ampliar nossa visão histórica, social e cultural.

sábado, 9 de agosto de 2014

De que educação estamos falando?

É bastante comum ouvirmos falar que somente através da educação se pode transformar uma realidade, uma situação. Já se tornou um slogan falar em educação quando o assunto em pauta é a desigualdade, as injustiças sociais e a violência. Porém, de que educação estamos falando? A educação em si mesma é capaz de gerar tanto a paz quanto a guerra, como podemos observar na história, afinal, não foram pessoas ignorantes, no sentido de não terem tido acesso à educação que deram vida ao holocausto, ou ao atentado de 11 de setembro nos EUA.
É neste sentido que pretendo conduzir a reflexão, sobre a educação e o papel que ela desempenha em um tempo e lugar específicos, segundo a ordem vigente. Conduzir ao raciocínio de que a educação sem um imperativo moral que a conduza, em si mesma, não transforma nada que não seja os interesses políticos e econômicos de um sistema.
Não é através da educação que o sistema capitalista tem conseguido se manter? Ora, a escola trata dos interesses políticos e econômicos da minoria dominadora, que irá configurá-la para manter os indivíduos na ilusão de sujeitos autônomos mas identificados com os ideais do sistema.
Somos esmagados pela supressão do tempo, pela manipulação das mídias, pelas palavras de ordem: sucesso, competitividade e tecnologia; e a escola está encarregada de imprimir esta nova ordem em nossas cabeças.
Como uma instituição de grande importância na vida do sujeito, por tratar-se de um ambiente rico em experiências no qual somos inseridos desde pequenos e vivemos boa parte de nossas vidas, as vivências do período escolar podem marcar para toda a vida, sendo responsável pela formação da subjetividade e da identidade do sujeito.
As práticas pedagógicas deveriam ser elaboradas de maneira a libertar o sujeito, dando-lhe autonomia para fazer suas escolhas, de maneira consciente, mas, ao contrário, tem servido ao sistema, ajudando a tornar o indivíduo cada vez mais esvaziado de sua identidade, misturando-o a um todo pela ideia de globalização, que não existe em todos as classes de uma sociedade excludente como a nossa; isolando-o, oprimido-o e deixando lacunas a serem preenchidas sabe Deus com o que.....