Tomei emprestado o título deste artigo da resposta da professora Andréa Paula em 08/08 ao subprefeito da universidade que a repreende por permitir que alunos colem cartazes nos espaços da mesma.
Trazemos de volta a reflexão sobre o papel que a educação cumpre em nossa sociedade, uma vez que ela está, e sempre esteve, a serviço das classes dominantes, que têm como objetivo perpetuar o sistema, sistema esse que só sobrevive e se mantém à medida que controla nossas ações, gostos e escolhas. Poucos em nossa sociedade escolhem sua profissão, a roupa que usa, a casa que mora. A pedagogia propagada nas escolas torna o aluno em um objeto do sistema, alienado pela indústria 'cultural' que o absorve; ampliar sua realidade social e cultural constitui uma ameça para o sistema. A arte teve grande expressão no passado, e muito se transformou e conseguiu através dela. Através de suas várias expressões, ela cria representações, imagens e sensações que afetam o imaginário social e político, e isso tem um impacto importante na vidas das pessoas.
Mais do que produzir temas e objetos, a arte tem o poder de ampliar a imaginação agindo na memória, nos comportamentos e na escrita; psicologicamente, é um meio incrível de acessar os conteúdos inconscientes e trazer à tona tanto os potenciais transformadores como elaborar àqueles negativos; contudo, o sujeito que ingressa nessa viagem (no sentido de deslocamento), corre o risco de encontrar sua identidade pessoal, de tornar-se uma pessoa mais consciente à medida que se reconhece e reconhece o outro e faz uma leitura mais clara das coisas à sua volta; o problema é que a pessoa de posse de si mesma, passa a subverter as cristalizações e as institucionalizações das verdades até então conhecidas, e propõem uma nova perspectiva, contagiam outras pessoas através da sua expressão, pois a arte nos mostras novas possibilidades, dá cor e vida aos fatos passados, do qual muitos não tiveram o acesso adequado, como também inaugura uma nova forma de ver a vida.
Outro perigo que a arte traz, é que ela tem a propriedade de nos aproximar da natureza; ela nos remete a um modo de vida mais humanizado e integrados uns com os outros; tem outra proposição para o bom e o belo, que em nada lembra as convenções da indústria da moda que o sistema nos enfia guela abaixo; isso pode ter um impacto profundo no consumismo, uma ferramenta fundamental para manter o sistema.
Enfim, a arte é a subversão da ideologia vigente, porque pode nos remeter à nossa subjetividade, porque nos leva de volta à natureza, da qual fazemos parte, e de repente, muitas coisas desta tão "sonhada e desejada" modernidade, pode perder e muito de sua graça e importância, porque podemos descobrir que estamos sendo enganados, que não necessitamos de tanto o quanto o sistema nos leva a acreditar que necessitamos, e por outro lado, perdemos as condições básicas e necessárias para continuarmos a merecer o título de seres humanos.
Um salve às professoras Graciela Oliver e Andréa Paula por tentarem ampliar nossa visão histórica, social e cultural.